Centro de Inteligência

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Um GPS enlouquecido

Para fazer nossa viagem de férias pela Alemanha, resolvemos, com a ajuda de um primo muito querido e muito prestativo, comprar um GPS e já deixá-lo programado para todos os hotéis onde deveríamos pernoitar.

Dessa forma, lá estavam registrados e foram percorridos, sem nenhum problema, o trecho entre o aeroporto e o hotel de Frankfurt e daí para os de Heidelberg, Wusburg, Rothemburg e Nuremberg.

Depois de Nuremberg, iríamos para Fussen.

Era a única cidade do roteiro da qual eu nunca ouvira falar, mas alguns amigos e o "trip advisor" nos deram a informação de que era imperdível.

Fica ao sul de Munique – estávamos viajando no sentido Norte / Sul – mas como teríamos que tomar um avião em Munique, programamos passar primeiro por lá. Por este motivo, era o maior trecho da viagem: 309 km. Para a grande maioria dos meus amigos, um trechinho de nada.

Depois do almoço, houve um debate em Nuremberg, tendo surgido várias hipóteses:

a) Cancelar Fussen e ficar mais uma noite em Nuremberg;

b) Cancelar Fussen e ficar uma noite a mais em Munique;

c) Ir direto para Munique e fazer uma viagem de trem até Fussen, ida e volta.

No fim, decidiu-se pela manutenção do programa original.

A saída da cidade foi alvissareira. Eram 4 horas da tarde, a estrada à nossa frente era ainda melhor e com mais pistas do que as já excelentes estradas pelas quais tínhamos trafegado, o que nos fazia estimar que, no mais tardar, por volta das 6 e meia estaríamos em Fussen.

Naquela estrada, Carmen arriscou-se a desenvolver 189 km/h. Quando estávamos a essa velocidade, os Porsche, Mercedes e seus correlatos, nos ultrapassavam como se estivéssemos a 50 km/h.

O primeiro problema surgiu logo em seguida: começou a chover. A chuva fina tornou-se cada vez mais forte, chegando a dificultar a visibilidade, exigindo uma cautelosa redução da velocidade. E permaneceu assim por, praticamente, toda a viagem.

Em seguida, veio o problema do tráfego. Pela primeira vez, estávamos enfrentando tráfego pesado, apesar das 5 pistas da estrada. Um tanto pela grande quantidade de veículos, como também por uma sequência de acidentes que encontramos pela frente, certamente causados pela chuva.

Quando já estávamos a cerca de 50 km de Fussen, entramos em uma rotatória. O GPS orientou para que virássemos à direita na terceira saída, mas Carmen, que vinha dirigindo desde Nuremberg, virou na segunda saída por ter visto uma placa indicando Fussen.

Logo a moça do GPS, Brígida para os íntimos, começou a falar: (daqui p’ra frente, vou transcrever as falas de Brígida como ela gostaria de falar e não o faz em virtude de severas regras de educação e conduta)

- Minha senhora, eu falei que virasse na terceira saída. Agora, vamos ter que voltar. Mas, como essa via é de mão dupla, muito movimentada e estreita, vai ser necessário dar uma grande volta. Bem feito, para não me desobedecer.

E foi um tal de vire à esquerda, de novo à esquerda. Agora à direita, à esquerda, à direita...

Depois de algum tempo, estávamos, de novo, na mesma rotatória. Foi quando Brígida falou:

- Bom, agora vê se me obedece. Vire à direita na terceira saída.

Na terceira saída, havia uma placa de Fussen, porém com um X vermelho por cima. Mas Brígida mandou, vamos lá. E ela foi orientando:

- Siga em frente. Agora, à esquerda, agora, à direita. Agora, 35 km em frente.

Depois de percorrermos 25 dos 35 km ditos pela moça, entendemos a razão da placa com o X vermelho. À nossa frente, uma imensa cratera, muito comum nos jornais da Globo quando mostra a situação das estradas no Brasil na época de fortes chuvas.

Não tínhamos como prosseguir. Carmen manobrou o carro e começamos a viagem de volta. Mas Brígida é muito teimosa. Depois de orientar Carmen para que subisse uma rampa, atravessamos um viaduto e eu percebi que tínhamos feito um retorno e que ela (Brígida) iria mandar Carmen voltar até a cratera.

Aí eu disse: Carmen, essa Brígida está lhe enrolando, assim nós não vamos nunca chegar a Fussen. Deixe-me assumir o volante, que eu dou um jeito nela.

E começou uma briga "braba" entre mim e Brígida.

-Vire à direita

- Não viro.

- A 250 m, entre no desvio à direita.

- Não entro

-Você precisa obedecer minhas instruções

- Dane-se

- Assim, você não vai chegar ao hotel de Fussen

- Veremos!

Continuamos assim por cerca de 50 km, com xingamentos mútuos, até que ela desistiu:

- Ok, você venceu, batata frita. O seu hotel se encontra à frente, a 800 m.

Foi assim que uma viagem que era para ser feita em 2 horas e meia, se estendeu por bem mais de 5 horas.

E Fussen?

É imperdível.

por

Roberto de Araújo Lima