Centro de Inteligência

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Tudo começou no vôo

Autoria: Roberto de Araújo Lima

Os 3 ou 4 amigos que, junto com os meus familiares, leram o meu livro “Deixe que eu conto”, conhecem o meu prazer em contar coisas pitorescas acontecidas durante as minhas viagens.
Nessas férias de julho de 2011 as coisas começaram já na nossa viagem de ida.
Como havíamos deliberado que a primeira parte da viagem seria destinada à Alemanha, tomamos, eu, Carmen e os gêmeos Adriano e Lucas, um vôo da TAM, que nos levou de São Paulo a Frankfurt, onde começou nossa viagem.
Já no aeroporto, sabedor que, pagando US$ 70.00, poderíamos escolher uma das “cadeiras conforto”, reservei, para mim e para Adriano, as poltronas J19 e I19, localizadas na saída de emergência do avião, que possuem um largo espaço à frente, permitindo-nos estirar as pernas à vontade.
Quando entramos no avião, encontramos Carlos Bernardes de pé, ao lado da fila 19, conversando com dois comissários de bordo. Para quem não sabe, Carlos Bernardes é o único brasileiro a fazer parte do quadro de árbitros da ATP – Associação dos Tenistas Profissionais. Para que se tenha idéia de sua importância, basta mencionar que coube a ele dirigir a final do prestigiado torneio de Wimbledon, disputada por Novak Djokovic e Rafael Nadal, sem sombra de dúvidas, se não A, com certeza uma das mais importantes partidas de tênis do calendário de 2011.
A questão que estavam tentando solucionar era que a TAM havia concedido um “up-grade” a Bernardes, transferindo-o para a fila 19 (ao meu lado), mas, por desconhecimento, haviam deixado sua filha, a graciosa Anna Luiza, de 12 anos, na fila 41, lá atrás. A coisa estava caminhando para ser solucionada, transferindo Bernardes também para a fila 41.
Foi quando eu interferi.
- Vocês não podem fazer isso! Esse meu amigo (a partir daquele instante) é Carlos Bernardes, um grande brasileiro que enaltece nosso esporte em todo o mundo e “pa-ta-ti” e “pa-ta-ta” e “coisa e loisa” e, principalmente, “coisa e tal”.
Os comissários entraram em contato com alguém e veio a resposta: tratando-se de Carlos Bernardes, e “coisa e tal” (o “coisa e tal” é que foi o argumento mais importante), a TAM fazia questão de oferecer-lhe uma poltrona na Classe Executiva.
Carlos Bernardes argumentou que ninguém estava entendendo nada, pois, indo ele para a Classe Executiva, a filha continuaria na fila 41, o que não resolveria o problema. Imediatamente, eu me adiantei:
- Olha, Carlos, proponho o seguinte: você continua na sua poltrona inicial, que é a H19, sua filha senta na I19 e meu filho Adriano, como uma especial deferência a você, concorda em passar para a poltrona I11, na Classe Executiva.
Bernardes riu, entendendo a minha jogada, mas disse:
- Você é muito vivo, mas, como eu vou viajar junto à minha filha e, tanto eu como ela, em poltronas confortáveis, aceito sua sugestão.
Todos, inclusive os comissários, riram e ficaram felizes com a solução digna de Beremís, “O Homem que Calculava”, do grande Malba Tahan. Especialmente, Adriano.
Mas não pensem que as curiosidades terminaram por aí.
Passados alguns minutos, veio um outro comissário, dizendo que à filha de Bernardes, por ter somente 12 anos, não lhe era dado viajar junto à porta de emergência, onde ficava a fila 19. E propôs uma troca: Bernardes e a garota, mesmo permanecendo na fila 19, passariam para as poltronas do meio, e os passageiros ali sentados viriam para as poltronas ao meu lado.
Foi feita essa nova troca, que não beneficiou nem prejudicou ninguém.
E os dois passageiros apresentavam duas características bem interessantes.
Um, era um alemão que tinha como característica, difícil de aceitar, especialmente para os que me conhecem: falava mais do que eu. Tanto que começou a me contar uma história, eu adormeci e, quando acordei, a história ainda não havia terminado;
a outra, quando perguntei seu nome, respondeu: - Cinderela. E quando percebeu que eu não estava acreditando, mostrou seu documento: Cinderela Carvalho.
“E quando ele disse que se chamava Jesus,...”
Mas isso já é outra estória.