Centro de Inteligência

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O que ocorreu em 25 anos

Em 1986 fiz uma viagem à Europa que incluiu um cruzeiro pelo Mediterrâneo.

Agora, em 2011, repeti a experiência, com o cruzeiro marítimo passando quase que pelas mesmas cidades.

Da primeira vez, eu estava só; desta vez, estava com minha mulher, meus quatro filhos, minha "genra" e meus três netos. Notei "algumas" diferenças...

Ambos os cruzeiros partiram de Veneza, que "os pernambucanos com a modéstia que lhes é peculiar" (apud José Vasconcelos, em seu memorável show humorístico) conhecem como "a Recife Italiana".

O navio

Em 1981, o cruzeiro foi feito em um navio da Costa Cruzeiros, com capacidade para 600 passageiros. De acordo com minha memória (é assim que Gabriel Garcia Marques "determina" que sejam contadas as estórias) foi o único navio que partiu de Veneza, naquele dia.

Em 2011, o cruzeiro foi feito em um navio da Costa Cruzeiros, com capacidade para 3.800 passageiros. Somente naquele domingo, partiram de Veneza, pelo menos, 5 navios de porte semelhante.

Smirne

Smirne, Ephesus, Kusadazi são algumas de outras tantas denominações de pequenas vilas que ficam no entorno de Ephesus, a mais completa e mais bem conservada ruína de cidade grega em terras turcas. Uma coisa maravilhosa. Naquele dia de 1986, alguns (não muitos) turistas espalhados pelos diversos sítios, apreciando todas as belezas ali contidas. Na saída, um turco humilde, em uma pequena tenda, preparava suco de laranja. Tomei um copo e achei um dos melhores sucos de laranja da minha vida.

Em 2011, Ephesus continua maravilhosa, especialmente a Biblioteca, pela qual me apaixonei desde a primeira vez. Na saída, em uma grande tenda, com cerca de 5 ou 6 funcionários, um turco bem vestido, comandava uma "linha de produção" de suco de laranja. Convidei a minha família para provar aquele suco. Todos concordaram que era um dos melhores sucos de laranja que já haviam tomado.

Palácio Real Topkapi, em Istambul

Um pequeno grupo de turistas, entre os quais me inclui, entrou no Palácio Real pela porta da frente e visitou as suas várias dependências, sem maiores problemas, apreciando calmamente as jóias, os tapetes, as porcelanas e os demais objetos do acervo real.

Uma multidão de turistas, entre os quais nos incluímos, chegou ao Palácio pelos fundos para iniciar a visita às suas instalações. Apenas para adquirir os bilhetes de entrada, levamos 40 minutos, em longas filas ao sol. Dentro do Palácio, fila para todos os lados. Revi as lindas jóias e os magníficos tapetes do acervo real. Desisti das porcelanas.

Igreja de Santa Sofia, também em Istambul

Impactante, por toda a sua história, seus belos vitrais, lustres e candelabros. No espaço central, móveis e outros objetos, entre os quais circulavam os turistas.

Os vitrais, lustres e candelabros mantêm a mesma beleza. Todos os móveis e objetos foram retirados, cedendo espaço para os turistas.

Mesquita Azul, ainda em Istambul

Uma beleza indescritível (e porque eu vou tentar descrevê-la?). As paredes, revestidas de um azul forte e brilhante, especialmente quando sobre elas incidem os raios do sol, justificando o título de Mesquita Azul. Espalhados pelo chão, centenas de tapetes, tecidos à mão pelos fiéis em agradecimento pelas graças alcançadas, formando um esplendoroso desenho multicolorido, emocionando os que ali entravam. Sendo a área total dos tapetes bastante superior à da mesquita, o caminhar (sem sapatos, é claro) transformava-se em uma sensação agradabilíssima.

Uma forte e desagradável sensação de perda. As paredes, seja por desgaste do tempo, por falta de uma cuidadosa manutenção, ou ainda por ser um dia nublado, não apresentavam nem um pouco da beleza de outrora. Se eu tivesse que um título, a antigamente majestosa Mesquita Azul seria agora chamada de Mesquita Cinza. Porém ainda pior foi a decisão tomada pelas autoridades a respeito do piso. Que eu respeito, até entendo, mas me entristece. Todos os belos tapetes (me falaram em mais de 400) foram transferidos para outro prédio onde se intenta montar o "Museu Turco da Tapeçaria". No lugar daquelas obras de arte foi colocado um carpete industrial, de pequena espessura, com o mesmo insignificante desenho repetido milhares de vezes. Uma droga!

Dubrovnik

A então cidade da Iugoslávia é, sem dúvida, um patrimônio da humanidade. Naquela tarde, a vida da população seguia seu curso normal, não permitindo que os cerca de 300 turistas afetasse os negócios de compra e venda nas diversas barracas montadas na praça central. Passeamos pelas suas ruas, dispersando-nos em várias direções, sentindo um pouco da vida calma e tranqüila da população. Uma pequena casa de câmbio ajudava os turistas interessados em adquirir algum produto, pois os comerciantes, em sua grande maioria, preferiam transacionar com a moeda local, que apresentava, em suas cédulas, as informações impressas em quatro dos idiomas falados naquele país. Dubrovnik foi a cidade mais bonita e interessante de todo o passeio.

Agora pertencendo à Croácia, a cidade não perdeu nada de sua beleza. Com a chegada de cerca de 15.000 turistas, não há mais espaço para a feira da população. Todos os espaços comerciais estão agora dedicados a atender aos turistas. Muitos dos espaços da praça estão destinados a cafés, bares e restaurantes. Foram criadas novas atrações, como o passeio pelas muralhas. Agora, os comerciantes recebem euros, dólares e cartões de crédito. Ainda tive a sorte de ver um casal de noivos a dançar pela praça. Ele, com um moderno terno bege, bem cortado; ela, com o costumeiro vestido de noiva ocidental, com as pontas da cauda inteiramente enlameadas, pela chuva que caíra na véspera. No nosso grupo foi opinião unânime que Dubrovnik foi a cidade mais bonita e interessante de todo o passeio.

por Roberto de Araújo Lima