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Medicina - Ciência e Arte

Autoria: Walter Nogueira

Dizem as más línguas que a medicina caminha entre multidões de cadáveres; outras, no entanto, afirmam que anda com os pés dos pacientes. A realidade é que, vista ao longo dos anos, quando a história se faz história, seus passos são registrados em dimensões científicas e artísticas, em benefício da humanidade. Cura-lhes as enfermidades; controla-as, quando lhe faltam os meios para as corrigir; previne-as para que não ocorram, - recurso que falta as demais ciências : - é quando, então, soberana, traz o futuro para o presente e nele firma-lhes as atitudes corretivas. Com esse perfil, ao estudar as doenças e compreendê-las como fenômenos naturais, retira-as das mãos de Deus e coloca-as nas do homem. O seu objetivo, porém, não é conseguir a imortalidade humana mas tão somente decodificar as enfermidades, eliminá-las e, assim, proteger o homem de suas implicações e conferir-lhe uma vida longa e qualificada. E, mais, estimulá-lo para ser o verdadeiro vigilante de sua própria saúde. Vez por outra, desafiada e surpreendida por afecções que levam o homem ao óbito em curto intervalo de tempo, sem perder a esperança, aceita o desafio e se associa a outras ciências, tais como a engenharia, a física, a química, a psicologia etc., reconhecendo que, por si só, não iria muito longe. E, com essas parcerias objetivas, de forma surpreendente, combate a afecção de forma irretorquível. Um desses grandes desafios pelo qual passou a medicina ocorreu na década de sessenta, quando os doentes que sofriam de insuficiência renal crônica, "em fase terminal"(uremia), não tinham chances para sobreviverem por alguns meses ou mesmo algumas semanas.

Ao saber que os rins contêm membranas semipermeáveis com as quais filtram o sangue; limpam-no de suas impurezas naturalmente produzidas pelo produto final da alimentação( catabolismo), no que resulta a formação da urina, fabricou-as de forma semelhante; aprisionou-as em compartimentos hermeticamente fechados, nos quais fez circular, em um, uma solução química semelhante à composição sanguínea, e, internamente a estas, noutro, em circulação, sem se misturarem, condicionou a passagem do sangue rico em substâncias tóxicas dos pacientes com uremia, o que permitiu, assim, obedecendo ao princípio dos vasos comunicantes, a troca de substancias entres estes compartimentos, o que redundou na correção das alterações bioquímicas comuns a este evento e, surpreendentemente, registrou a melhora clínica dos doentes, de tal maneira que lhes permitiu o retorno à sociedade com vida útil e capacidade laborativa. Devido a este resultado, este procedimento terapêutico, designado hemodiálise(emprego de rins artificiais), logo se espalhou pelo mundo inteiro. Por não ser complicada a sua manipulação, nem necessitar de internações e serviços médicos especializados para efetuá-lo, a classe médica o aceitou plenamente, embora com algumas resistências iniciais, que foram, de imediato, debeladas. Trata-se, pois, de um procedimento que pode ser feito na casa dos pacientes, assistidos pelos seus familiares, ao mesmo tempo que lhes permite viajar de um país para outro, ou para turismo ou para desempenho de suas funções empregatícias, desde que cumpra com as sessões de hemodiálise, para o qual foi programado, o que aconteceu, para exemplificar, com o trompetista que acompanhou o cantor Frank Sinatra, em sua turnê pelo Brasil. Assim a medicina desempenha naturalmente as suas funções sem obrar milagres.

Para que não haja lacuna neste trabalho, é importante que sejam citados os serviços médicos pioneiros neste procedimento. Nos EEUU, o de Merril(Boston), o de Scribner( Seattle); no Brasil, em São Paulo, o de Walter Nogueira( Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia) etc..

"E, agora, Doutor?"