Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Xô nuvens negras

Ao acordar àquele dia, a indisposição se mostrou presente.

Muito mais que isso.

Não era apenas a falta de vontade de me levantar.

Um tremor parecia consumir meu corpo.

Uma inexplicável vontade de chorar.

E chorei muito…

Tantos problemas me vieram à mente.

A ausência de luz me sinalizou uma plena incapacidade em resolvê-los.

Um egocentrismo que se perpetuou por alguns momentos.

Apenas isso pode explicar eu querer me colocar no centro deste contexto.

Afinal, cabe a mim a solução deles? Quem me disse isso?

Vivemos em uma sociedade patriarcal e ela tende a nos obrigar a tanto.

Muitos de nós, homens ou mulheres, carregamos as maiores responsabilidades.

Parece que dividi-las é um sinal de plena fraqueza.

A falta de confiança no próximo também nos ajuda a pensar assim.

Mas ainda assim, o equívoco teima em pairar sob tantos de nós.

A mim, ao menos, ele me cerca de vez em quando.

E neste sentido, apenas o coitadismo parece explicar este tipo de comportamento.

Ao nos mostrarmos frágeis, parece que ganhamos a empatia das pessoas.

De certa forma conquistamos sua atenção.

Uma asquerosa estratégia automanipuladora.

Autossabotagem pura.

Não precisamos viver desta maneira, aliás não cabe levar a vida assim.

Inegável que o simples ato de viver já traga uma série de desafios.

Mas, está longe de ser apenas isso.

Viver é alegria, sorriso, aprendizado, experiência, crescimento…uai, são tantas coisas.

Diante disso, quantas são as oportunidades de sermos elementos de transformação.

Não apenas na vida dos outros, mas principalmente na nossa.

Aliás, muito mais na nossa que é o que está sob nosso alcance.

Ninguém pode almejar conquistas, caso não consiga sequer se sentir feliz.

As sombras que, às vezes, teimam em nos abordar são passageiras.

Não temos controle sobre as coisas não tão boas que acontecem ao nosso redor.

Mas, certamente, temos como gerir a maneira como elas irão nos afetar.

Se assim quisermos.

E isto faz realmente a diferença.

Internalizá-las é um gatilho para tristeza.

Uma decisão que cabe apenas a nós mesmos.

Todos nossos atos trazem propósitos muito claros.

Ao chafurdarmos em momentos ruins, o que esperamos ganhar?

Certamente a escuridão.

Quando acordo meio “borocoxo”, costumo me fazer esta pergunta também.

Me convenço com uma rápida, mas decisiva, indicação: “Vai passar…”

Afinal, precisamos viver um momento de cada vez.

Mesmo porque, quem deseja o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva.

Ainda que não precisemos dela para viver em dias sempre ensolarados.