Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Antes Pinóquios, agora os mentirosos são Mitômanos

 Personagem criado originalmente no final do século XIX, quando fez parte de uma série publicada por um jornal infantil italiano, Pinóquio ganhou fama mundial a partir dos anos 1940 após a adaptação feita por Walt Disney para o cinema. A história do boneco de madeira feito pelo carpinteiro Gepeto, que queria muito que ele se tornasse um menino de verdade, até hoje emociona a todos. Não cometerei a gafe de contar o seu final. Quando criança lembro bem e talvez todos saibam a característica marcante do boneco, a mentira. Por conta disso, durante a história, a Fada Azul, outra personagem, o alertou que, sempre que ele falasse alguma mentira, seu nariz cresceria. Em que pese esta dura sentença, Pinóquio demorou um pouco a aprender a lição. Talvez por isso, por mais que tenha conseguido seu intento, ops… acabei contando o final da história, ele passou a ser conhecido quase como um sinônimo de quem mente. Marcou muitos.

Em 2016, Isabel Pesce Mattos, a Bel Pesce, conhecida por toda a mídia e mundo corporativo como a “menina do Vale”, alusão feita a sua, auto anunciada, bem sucedida experiência profissional no Vale do Silício, região conhecida por abrigar algumas das maiores empresas de alta tecnologia, teve sua história colocada em dúvida por conta de não serem verídicas algumas das informações compartilhadas. Dentre elas aquelas que suportaram sua afirmação sobre possuir 5 diplomas do MIT, Massachusetts Institute of Technology, o que, após alguns anos, não se comprovou como verdadeira. Na última semana a história da professora doutora, Joana D’Arc Félix de Souza, que afirmara ter entrado na Unicamp aos 14 anos e ter feito um pós doutorado em Harvard, acabou por seguir o mesmo rito. De acordo com uma reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” foram evidenciadas imprecisões importantes nas afirmações da professora. Após consultas às entidades envolvidas, elas se mostraram não verídicas. Quando questionadas, Pesce e Joana adotaram posturas similares. Ambas assumiram como linha mestra de suas defesas, desqualificar aqueles que descobriram as inverdades. Joana foi além e insinuou, até mesmo, racismo.

Cabe ressaltar, no entanto, que pouco se falou à respeito da incompetência da imprensa, de uma forma geral, assim como das entidades envolvidas, sobretudo as brasileiras, o que permitiu que estas duas personagens ‘surfassem em uma onda de mentiras’ durante anos, com grande destaque na mídia. É difícil acreditar que ninguém tenha assumido, como dever de ofício, ao menos, a responsabilidade de checar as informações compartilhadas.Talvez por conta disso, elas, possuidoras de currículos invejáveis, ainda que excluídas as afirmações fraudulentas, estejam sendo tratadas como mitômanas, pessoas que possuem certa patologia que as fazem ter compulsão em mentir. Pois é… Pinóquio deve se sentir um injustiçado. Ele está marcado na história como um mentiroso contumaz, fato evidenciado por seu nariz. Poucos se lembram que ele, ao final do filme, conseguiu virar um menino de verdade após comprovar ser “generoso, sincero e valente”, conforme lhe impora como condição a Fada Azul.

Já as mitômanas de ocasião, ao que parece, viverão apenas um período de turbulência, afinal, muito possivelmente, devem se arrepender apenas por terem sido desmascaradas. Não é difícil verificar, no entanto, que mitomania tem muito a ver com outro tipo de problema, certo desvio, e este apenas valores devidos morais explicam conseguem explicar.