Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A falta de inovação nos processos de contratação: Abra os olhos, RH

O conhecimento em prática, a competência, é um importante critério adotado por aqueles que são responsáveis pela seleção de novos colaboradores. Sua identificação junto ao arcabouço de profissionais presentes no mercado corporativo costuma ser feita tendo como base o histórico recente de suas realizações. Quando bem descritas, representam importantes referências que atendem ao intento de pontuar objetivamente a capacidade produtiva de um profissional. Elas podem ser feitas através de currículos, convencionalmente escritos pelo próprio profissional ou por alguém por ele contratado, bem como por conta de indicações. Estas podem ser realizadas através de colegas de trabalhos e amigos, quer eles tenham tido algum tipo de relação profissional na mesma empresa ou em diferentes organizações, do mesmo segmento ou não. A abrangência neste caso costuma ser bem maior, o que, se por um lado aumenta a quantidade de indicações, algo importante, por outro tende a diminuir o índice de assertividade de sucesso. Durante esta etapa de identificação será construído o universo de candidatos potenciais. A princípio, dali sairá aquele que ocupará a vaga.

A seguir costuma vir a fase de entrevista. Através dela, se busca verificar a existência de certo alinhamento entre tudo aquilo que foi sinalizado na etapa de identificação e o que o profissional realmente demonstra ser. Decisiva, não menos que a anterior, esta fase traz como importante diferencial o fato do profissional já ter avançado por uma, digamos, primeira peneira. Quando assim encarada, a auto confiança pode ser abraçada como um requistio decisivo. Por outro lado, para aqueles que costumam a alcancá-la com maior frequência, ela pode ser vista de forma difusa. Pode ser notada como um obstáculo por conta da dificuldade em conseguir demonstrar condições potenciais de possuir as competências descritas em seu currículo ou citadas por quem foi indicado. Mas também pode ser vista, sublimemente, como se fosse apenas mero cumprimento protocolar do que já está tudo bem encaminhado. Isto mesmo. Nervosismo exagerado e calma em excesso são as condições mais frequentes citadas pelos profissionais que entrevistam candidatos durante estes processos seletivos. Os extremos se destacam e acabam por decidir quem ficará com a vaga.

Este processo adotado tacitamente pela maioria quase que absoluta das organizações, de diversos tamanhos e diferentes segmentos, tem se repetido ao longo dos tempos com pouquíssimas alterações em que pese sobre isso as mudanças tão significativas no mercado do trabalho, bem como no perfil dos profissionais. Exemplo de certa miopia ou será que realmente não caberia qualquer mudança a ser aplicada? Ao que parece, há certas suspeitas a serem consideradas. A primeira delas diz respeito a dificuldade em medir a eficiência desse processo, afinal como é possível avaliar os resultados trazidos por conta da contratação de um determinado profissional? Será que o tempo de permanência dele na organização também poderia ser considerado um critério? Ou simplesmente a receita por ele proporcionado? Como medir isso de forma objetiva e eficaz , sem se enveredar para o achismo?

Vencida, se assim for, a questão seguinte diz respeito a efetiva disposição em alterar um processo que parece enraizado nas entranhas organizacionais, como se fizessem parte de seu DNA. Será que haveria outra forma de se contratar alguém? Afinal o que há de novo a ser criado? “Ora bolas, é apenas uma contratação” poderia dizer os mais afoitos resistentes a se debruçarem de forma mais efetiva sobre este tema em especial. Ao que parece a mera análise de causa e efeito, poderia ser algo importante a ser considerado, assim como o seria uma estudo mais efetivo sobre os custos decorridos por um processo inadequado, no entanto, o engano parece não estar presente diante a uma realidade mordaz que carimba as organizações de uma plena incapacidade de criar novos requisitos e/ou atributos geradores de riqueza, a inovação, algo tão propalado em verso e prosa, mas tão escondidos e mascarados sob diversas expressões tecnológicas e de raso significado que invadem o mundo corporativo como se fossem onomatopeias essenciais para a sobrevivência de qualquer organização.

O menos sempre é mais.